Pressão Arterial

04/08/2010 20:23

  O que é e como aferir

 

 

    A pressão arterial (PA) é a pressão exercida pelo sangue contra a superfície interna das artérias, tendo origem nos batimentos do coração. Este, por sua vez, impulsiona um certo volume de sangue através da artéria aorta para todos os vasos sanguíneos do corpo. 

    O ciclo cardíaco tem início com um período de contração (sístole) no qual o sangue é ejetado através da aorta com pressão máxima, permitindo o influxo de sangue por todo o sistema arterial. Segue-se um período  de relaxamento (diástole) antes da próxima contração no qual os ventrículos se enchem de sangue, e portanto nesse momento a pressão exercida sobre as artérias é mínima. Por este motivo se obtém dois valores ao medir-se a pressão arterial: os valores da "máxima" (sistólica) e da "mínima" (diastólica).

    A forma mais comum de medir-se a pressão arterial se dá através do método auscultatório, inventado pelo cirurgião russo Nicolai Korotkov (1874-1920). Nesse método uma borracha (esfigmomanômetro ou manguito) enche-se de ar e comprime a artéria braquial (localizada no braço), impedindo que o sangue passe pela artéria. O manguito é lentamente desinflado e no momento que a pressão fornecida pelo aparelho iguala-se à pressão de ejeção do sangue (sístole), é possível auscultar alguns batimentos. Esses batimentos não são oriundos do ciclo cardíaco, e sim do choque do sangue contra as paredes das artérias. Quando, por fim, as pressões do aparelho e de relaxamento do coração (diástole) se igualam, o fluxo laminar do sangue é restabelecido e não é possível auscultar nenhum batimento. Obtém-se assim, os dois valores da PA, dada em mmHg: se a sistólica deu 140 e a diastólica deu 80, então a notação é 140/80 mmHg.

    

Medição da PA utilizando-se esfigmomanômetro e estetoscópio

 

  Alterações fisiológicas influem na PA

     

    A PA pode ser alterada a fim de se adaptar às mais diversas situações. Um exemplo disso é o aumento da pressão sanguínea durante exercícios físicos, devido a um aumento na demanda dos músculos por oxigênio e nutrientes. Mas como isso ocorre?

    O fluxo sanguíneo aumentado nos leva ao conceito de 'débito cardíaco' (Qh), que é a quantidade de sangue bombeado por minuto. Um aumento no débito cardíaco pode ser devido a um aumento no volume sanguíneo (sistólico) ejetado (Vh) ou um aumento da frequência cardíaca (Fh). Assim sendo, tem-se que:

Qh = Fh x Vh

    O aumento do volume sistólico resulta da modificação do retorno venoso (quantidade de sangue que chega ao átrio direito; lembre-se que ele recebe o sangue saturado com CO2), que altera o volume de ejeção por estiramento das fibras do miocárdio e que por sua vez aumentam a força de contração. A frequência cardíaca pode ser alterada pelo sistema nervoso autônomo através da estimulação simpática ou parassimpática.

    Outro fator que influencia a PA é a resistência periférica das arteríolas, que possuem esfíncteres nas junções com os capilares. Isso tem grande relevância pois o fluxo (Q) dentro de um tubo depende da relação entre resistência (R) e pressão (P), ou seja:

Q = P/R 

 

    As arteríolas, portanto, regulam a resistência e o fluxo do sangue, que influem diretamente na pressão de perfusão sanguínea.

    No mais, a pressão arterial pode ser entendida como: 

PA = Qh x RPT

onde: PA= pressão arterial    

         Qh = débito cardíaco

         RPT = resistência periférica total.

    A regulação da PA, é portanto, resultado de inúmeras alterações que atuam em conjunto, sendo importante na homeostase do organismo.

    

  Valores ideais de pressão e hipertensão

     

    O valor ideal de PA situa-se na faixa de 120/80 mmHg. Entretanto, esse não é um valor exato, uma vez que crianças apresentam PA's abaixo desse valor e adultos acima, devido a diferenças na complacência das artérias. 

    Em situações patológicas (hipertensão) os valores encontram-se acima de 140/90 mmHg, podendo levar a um quadro clínico mais grave envolvendo acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais, insuficiência cardíaca, infarto, etc. Deve-se ficar tento aos grupos de risco: idosos, mulheres na menopausa, maior consumo de sal e álcool, obesidade e sedentarismo. Uma alimentação saudável aliada a exercício físico constante reduz a chance de um quadro patológico.

 

Por: Terezinha Maria

 

 

Referências e Sites interessantes

Guyton, A. C. & Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier, 11ª edição.

Schmidt-Nielsen, K. Fisiologia Animal: Adaptação e meio ambiente. Editora Santos, 5ª edição.

http://www.vaughns-1-pagers.com/medicine/blood-pressure.htm : escala de pressão arterial e os riscos associados a cada uma. 

http://www.youtube.com/watch?v=PrRWkMoFNRc&feature=channel : vídeo de como tirar a pressão arterial.

Pesquisar no site

Livro texto e Autor

 Fisiologia Animal: Adaptação e Meio Ambiente

 

Livro-texto da disciplina, de autoria de Knut Schimdt-Nielsen (1915-2007), figura proeminente no campo da

fisiologia comparativa e Professor Emérito da Universidade de Duke.

É citado como "pai da fisiologia comparativa e biologia integradora".

Leitura simples e linguagem fácil.

Onde comprar: www.editorasantos.com.br 

www.livrariacultura.com.br

Knut Schmidt-Nielsen  

Curiosidade Animal

Eleutherodactylus iberia (Robber frog)

 

Segunda menor espécie de sapo conhecida, mede cerca de 10 mm quando adulto. Alimenta-se de ácaros e microinsetos, sendo abundante no hemisfério norte, especialmente em Cuba. Está na lista de espécies ameaçadas da IUCN, devido à perda do habitat natural.

 

Fonte: Arkive